Humanizar a assistência significa agregar, às eficiências técnicas e científicas, valores éticos, respeito e solidariedade ao ser humano. A humanização deve ser pautada no contato humano, de forma acolhedora, sem juízo de valores e deve também contemplar a integralidade do ser humano.
O hospital humanizado é aquele que contempla, em sua estrutura tecnológica, física, administrativa e humana, o respeito à dignidade de cada sujeito, seja ele paciente (cliente), familiar ou o próprio profissional da instituição, garantindo, deste modo, condições para atendimento de qualidade. Produzir conhecimentos e fomentar a humanização no contexto hospitalar pressupõe criar e manter um processo dinâmico, criativo, participativo e sistemático, a fim de que os profissionais assumam efetivamente seu papel de sujeitos da produção. O profissional "humanizado" é aquele que possui como características essenciais a competência e o conhecimento técnico em constante atualização, a maturidade emocional, a ética pessoal e uma visão cultural holística do sentido da doença em si e de suas implicações sócio-afetivas.
De acordo com a Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde, humanização é a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde e enfatiza a autonomia e o protagonismo desses sujeitos, a co-responsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários e a participação coletiva no processo de gestão. Pressupõe mudanças no modelo de atenção e, portanto, no modelo de gestão. Assim, essa tarefa nos convoca a todos: gestores, trabalhadores e usuários. Fatores básicos como a infra-estrutura hospitalar, as tecnologias e a capacitação técnico-científica são fundamentais para a geração de bons resultados, mas seu impacto depende fortemente da presença ou ausência de relações humanizadas entre os profissionais e os usuários da saúde, e entre os próprios profissionais (o que é possibilitado quando a gestão das instituições de saúde incorpora os princípios da humanização do trabalho e do atendimento hospitalar).
Um aspecto decisivo para o avanço do atendimento humanizado nos hospitais é a criação de mecanismos para captar a voz de todos os envolvidos e ampliar os espaços de comunicação e diálogo entre os vários segmentos do hospital e entre estes e os usuários. Utilizando-se da possibilidade de criar um mecanismo de captação da voz dos profissionais do Hospital Vera Cruz, o grupo “Humanização”, da reunião Pensar Diferente, criou e disponibilizou, ao longo de três semanas, a caixa de sugestões “Humanizando o HVC”. Nela, os colaboradores tiveram a oportunidade de depositar suas idéias no que tange à humanização desta instituição.
O grupo “Humanização”, após o período acordado para o recebimento das manifestações na caixa, compilou todas as idéias recebidas (juntando-as às idéias dos próprios membros do grupo). Além disso, todas as impressões e conclusões obtidas quanto ao processo de Humanização das quais tomou-se conhecimento ao estudar-se o tema para efetivar as apresentações estão aqui citadas, com o intuito de enriquecer o trabalho de humanização do Hospital Vera Cruz.
Os caminhos da “Humanização”
A assistência humanizada é fundamental para o sucesso do tratamento e a recuperação do paciente no ambiente hospitalar. Tal assistência envolve a ética e também implica em “perceber” o outro. Diversas iniciativas têm sido implementadas em instituições hospitalares no sentido de resgatar a dimensão do cuidado. Todos os setores de um hospital devem ser humanizados. Implementar um processo de humanização no campo interdisciplinar da saúde, fundamentado na ética, implica o resgate da dimensão humana das/nas relações de trabalho e a sua permanente problematização. A ética pode contribuir significativamente para a humanização do ambiente hospitalar, para práticas que respeitem a condição de sujeito dos seres humanos, sejam cuidadores, sejam seres sob cuidado profissional, sua dignidade, valores, direitos, deveres.
Nos últimos anos, tem havido a estruturação de diversificados programas de humanização, procurando se aproximar da individualidade do cliente e acreditando na valorização do profissional e do diálogo multidisciplinar. Para uma avaliação da tarefa assistencial deve-se considerar que o cliente se encontra em um contexto pessoal, familiar e social complexo. A assistência deve fazer uma leitura das necessidades pessoais e sociais do paciente – na instituição interagem as necessidades de quem assiste e de quem é assistido.
As reflexões sobre a tarefa assistencial conduzem também ao campo ético e questão surge quando alguém se preocupa com as conseqüências que sua conduta tem sobre o outro. A humanização é um processo amplo, demorado, e complexo, ao qual se oferecem resistências, pois envolve mudanças de comportamento, que sempre despertam insegurança. Os padrões conhecidos parecem ser sempre os mais seguros. É importante ressaltar que cada instituição deve ter seu programa próprio de humanização, utilizando-se de elementos da sua realidade. Dessa maneira, o envolvimento e a aceitação serão maiores e mais rápidos. No processo devem estar envolvidas instâncias, profissionais de todos os setores, direção e gestores da instituição.
Humanizar a assistência hospitalar implica em dar lugar tanto à palavra do usuário, quanto à dos profissionais da saúde, de forma a que possam fazer parte de uma rede de diálogo, que pense e promova ações, campanhas, programas, políticas assistenciais a partir da dignidade ética da palavra, do respeito, do reconhecimento mútuo e da solidariedade. O grupo Humanização sente-se satisfeito por ter dado sua contribuição quanto ao tema, dentro do espaçoa hospitalar. Aguarda-se, conforme dito anteriomente, que o espaço para se falar de Humanização permaneça aberto e que, cada vez mais, cada colaborador se conscientize de sua importância no processo e contribua para o seu crescimento pessoal e da sua instituição, o Hospital Vera Cruz.